quinta-feira, junho 04, 2009

Soneto a Quatro mãos

Tudo de amor que existe em mim foi dado

Tudo que fala em mim de amor foi dito

Do nada em mim o amor fez o infinito

Que por muito tornou-me escravizado.

Tão prodígo de amor fique coitado

Tão facil para amar fiquei proscrito

Cada voto que fiz ergueu-se em grito

Contra o meu próprio dar demasiado

Tenho dado de amor mais que coubesse

Nesse meu pobre coração humano

Desse eterno amor meu, antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano

Melhor fora que desse e recebesse

Para viver da vida um amor sem dano.

(Vinícius de Moraes)

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